Como construir um brejo antirracista?

Por Duda Crespa 

 

A Agosta Lésbica de 2020 trouxe questões acerca da (in)visibilidade de mulheres LesBianas discidentes: pretas, indígenas, pcd, gordas, caminhão, trans e diversidades, e evidenciou o padrão branka da lesbianidade. Preconceituoses todes somos em sociedade estrutural e no brejo vivemos. Mas por que o brejo é racista? O racismo está na estrutura social. 

Compor a comunidade e/ou ser simpatizante não nos faz menos racista. Não basta não ser racista é preciso ser antirracista, ou seja, contra o racismo estrutural em todas as suas esferas. E que não reproduza outras opressões. Ser antirracista é ser a favor da demarcação indígena e quilombola já; é lutar contra o genocídio da população negra e pobre e seu direito de bem-viver sem ser violentade; Combater intolerância religiosa; Questionar e refletir espaços de trabalho, onde estão as pessoas dissidentes na empresa que você trabalha/frequenta/consome? Quais são os empregos das lesbianas de cor ao seu redor? 

Escuta ativa a vidas e escrevivências afroindígena; Disposição para conhecer a fundo histórias que foram por muitos anos manipuladas por colonizadores. Conheça a sua branquitude, entenda como foi usada na máquina de genocídio dos povos originais. Reconheça seus privilégios e use-o na disputa de narrativas. Há em débito o Pagamento da dívida econômica histórica com famílias que foram desconfiguradas em contextos diaspóricos. 

LesBianas no cenário reportado anteriormente tem de lidar com questões pessoais, psicológicas, financeiras e familiares diversas. Um universo completo em processo de expansão. Entre as diversas questões partilhadas, destaco a falta de afeto, negada por anos em todas as relações, aqui com ênfase nas relações LesBi afetivasexual. Na próxima vez que ver uma notícia de racismo repense sua ação e como você pode usar a sua influência para solucionar o problema, ao invés de encaminhar pro seu amigue negre mais próxima. Pesquise e estude, não tenha preguiça! Existem muitas formas de conhecer nossas ancestrais.

 

Duda Crespa é Produtora Cultural, Poeta, Radialista e Deejay. Na pesquisa pelo universo da música seleciona o que as rádios convencionais não buscam e não querem dialogar, como: corpas, mulheres de cor e não-heterosexual. No mesmo set você pode ouvir vertentes de reggae music, rap, trap  funk e música popular preta e o que mais essas antenas captarem por aí! É um convite pra você se politizar curtindo!