Quais são os impactos dos estereótipos em nossas vidas?

Estabelecer padrões em mulheres é algo frequente na sociedade e precisa ser transformado

Por Camila França

 

A estudante de direito Leilane Ribeiro é também produtora de conteúdo do  @sapataosuburbana

Estereótipo: substantivo masculino. Concepção baseada em ideias preconcebidas sobre algo ou alguém sem o seu conhecimento real. Padrão estabelecido pelo senso comum e baseado na ausência de conhecimento sobre o assunto em questão. A descrição do dicionário traz um conceito que  nós conhecemos bem de perto. O julgamento e a necessidade de nos encaixar em perfis pré-estabelecidos são frequentes e precisam ser desmistificados.  

Deveríamos expandir a nossa mente, somos muitas, somos diversas. Não existe uma única forma de ser lésbica.

Para a criadora de conteúdo e estudante de direito Leilane Ribeiro, os estereótipos são frutos da compreensão errônea que a sociedade heteronormativa tem sobre a gente. “Essa visão acaba dificultando a maneira como nos relacionamos, como vemos umas às outras e também influencia na forma como outras gerações irão nos enxergar e tratar”, descreve.

Leilane leva para o seu perfil no Instagram, o @sapataosuburbana, um conteúdo sobre lésbicas e bissexuais negras e  entre os diversos assuntos abordados, está a relação dos padrões. Segundo ela, desde muito tempo a sociedade se utiliza de um modelo heteronormativo e cisgênero para entender nossas relações. “Vejo que um dos caminhos para mudar essa mentalidade é a retirada da relação cisgênero, heteronormativa e branca como padrão das nossas mentes. Assim, teremos outras percepções sobre as pessoas e sobre nós mesmas”, acrescenta. 

Revendo conceitos 

Alaine Santana busca dar visibilidade às lésbicas negras no perfil @lesbicanegraecaminhao

Leilane ainda destaca que o que é considerado feminilidade e o padrão imposto dentro desse conceito também precisam ser revistos e questionados. “Existem mulheres heterossexuais que não se expressam dentro do que é considerado um padrão de feminilidade. Seguindo esse pensamento, também existe uma leitura de que mulheres lésbicas desejam ser homens. Dessa forma, as pessoas tendem a colocar sempre a mulher lésbica caminhão (que não reproduz a feminilidade imposta) como o estereótipo e a encarar automaticamente as lésbicas lidas como femininas como mulheres heterossexuais”, conta. 

Outra interpretação frequente e regada de preconceitos é a forma como expressamos a nossa sexualidade. “É comum acharem  que toda lésbica cis lida como feminina é passiva e que toda lésbica caminhoneira é ativa. Essa leitura é extremamente problemática, pois ativo e passivo são termos muito carregados das noções cis heterossexuais. Para mim, as relações sexuais entre mulheres lésbicas querem dizer apenas duas pessoas que trocam conexões”, descreve Leilane. 

Fora da caixa 

Vejo que um dos caminhos para mudar essa mentalidade é a retirada da relação cisgênero, heteronormativa e branca como padrão das nossas mentes.

Toda essa lógica que reforça padrões como um modelo a ser seguido foi construída por sociedade patriarcal e contribui para nos colocar em “caixas”. Essas normas aprisionam e nos impedem de expressar e nos relacionar  com mais liberdade. 

Segundo a psicóloga e criadora de conteúdo Alaine Santana,  esse fator tem como consequência um grande impacto na saúde mental de mulheres. “Deveríamos expandir a nossa mente, somos muitas, somos diversas. Não existe uma única forma de ser lésbica”, diz. 

Alaine Santana busca dar visibilidade às lésbicas negras, especialmente as bofinhas e caminhoneiras, como ela mesma define em seu perfil no Instagram, o @lesbicanegraecaminhao.  

De acordo com ela, podemos mudar esse pensamento de que precisamos nos encaixar em um padrão, questionando e refletindo sobre as referências que temos dentro e fora  da mídia, além de incluir outras formas de ser mulher em todos os espaços. “É necessário desestruturar e reestruturar toda essa ideia e ter a consciência da nossa diversidade, respeitando as histórias que nossos corpos carregam. Todas nós precisamos sair das caixinhas”, finaliza.