Rebuceteio: quem nunca?

Aquele capaz de provocar surpresas e diversão e ainda envolver liberdade sexual e construção de uma identidade coletiva

Por Ana Luiza Gonçalves e Vanessa Perroni

Levante a mão quem nunca participou de um rebuceteio! Para quem não conhece a expressão, se trata de um ciclo recorrente no meio lésbico e bissexual. Eu mesma, Vanessa, só tive conhecimento do termo há três anos, quando assisti ao espetáculo “L, O Musical”. Não sabia que paquerando a ex-ficante de uma conhecida eu já estaria, involuntariamente, participando de um. É uma verdadeira ciranda, na qual Bárbara já ficou com Paola, que já namorou Aline, que por sua vez já teve um caso com Bárbara, sim, a do início da história.

É como pegar a ex da sua ex, ou namorar a ex de uma conhecida. E você pode ter conhecimento de causa ou não, pode descobrir na primeira conversa com a crush ou só depois. É um assunto que domina os encontros. Em algum momento, ele vai aparecer!

No dia em que eu, Ana, conheci minha atual namorada, de cara, identificamos três mulheres que as duas tinham ficado. E o melhor: hoje somos todas amigas. É sempre divertido quando o assunto surge e mais divertido ainda quando, do nada, uma pergunta para outra: de onde você conhece a Júlia? Pode ter certeza: o rebuceteio está armado.

Agora explica direito…

O rebuceteio diz respeito aos modos de relacionamento. Quando as mulheres lés e bi notaram suas existências e se identificaram dentro da sociedade, perceberam que poderiam vivenciar a sexualidade de forma plena. Até 1990, os locais para sapasbi eram muito restritos, formando guetos frequentados pelo mesmo grupo de pessoas. Assim, as que viviam essas experiências acabavam vivendo esse troca troca. O rebuceteio nasce, então, em um contexto de relações restritas ao gueto em que cada grupo de mulheres vivia. Será que hoje é tão diferente assim?  

Ao mesmo tempo que o rebuceteio é uma forma de celebração de identidade, liberdade e diversão como formas de resistência, ele também acontece por muitas de nós ainda transitar em grupos específicos. É importante lembrar também que rebuceteio não significa falta de responsabilidade afetiva, viu? Se você for ficar com a Bárbara, Paola ou Aline, cuide para que ninguém se machuque. Rebuceteio bom é aquele que vira história para a gente rir depois.